QuantoVale

Como calculamos

Evidência no lugar de achismo.

O modelo tem dois motores. Um parte da receita recorrente; o outro, do que o estágio do produto já demonstra. O valor exibido é sempre o maior dos dois — e esta página explica os dois, inclusive onde eles se apoiam em convenção nossa em vez de referência de mercado.

  • v3versão atual, carimbada em todo Raio-X
  • 10.000cenários por relatório
  • 3–3,75×faixa privada de referência sobre ARR
  • 2métodos de early-stage triangulados sem receita

01

O motor de receita

Para negócios privados de software com receita recorrente, o QuantoVale usa o método que o mercado usa: um múltiplo sobre a receita recorrente anual (ARR). A referência parte da faixa privada de 3 a 3,75x ARR, e o múltiplo final varia de 0,8x a 8x conforme os fundamentos do negócio — inclusive quando o modelo é híbrido, marketplace ou transacional, casos em que o múltiplo recebe desconto.

Esta é a parte do modelo com lastro externo: a faixa de referência vem de pesquisa pública de mercado, citada no rodapé desta página.

A referência de origem é global e recebe um fator Brasil de 0,75: software brasileiro negocia com desconto sobre o americano também em múltiplo de receita. O fator foi medido comparando empresas de software listadas na B3 com pares americanos, EV/Receita na mesma data e controlando porte e perfil. Ele é menor que o desconto de ~50% da âncora pré-receita porque múltiplo é adimensional — não passa por câmbio, e a diferença de disponibilidade de capital entre os dois países aparece muito mais no nível de pre-money de empresa sem receita do que num múltiplo sobre receita real.

02

Os fatores que movem o múltiplo

A IA lê o site apenas para entender produto, público e modelo. Os números vêm das respostas do fundador, e cada fator puxa o múltiplo para cima ou para baixo:

  • Escala e estágionegócios maiores e com mais histórico carregam menos risco.
  • Crescimentoo ritmo anual do MRR, normalizado pelo estágio da empresa.
  • Retenção (NRR)quanto da receita da base se preserva e expande.
  • Eficiênciaa soma de crescimento e margem, na lógica da Regra de 40.
  • Qualidade da receitaquanto é recorrente de verdade, sem depender de projetos.
  • Concentraçãodependência do maior cliente.
  • Transferibilidadequanto da operação roda sem o fundador.

03

O motor de potencial, e por que ele é um piso

Uma empresa com produto no ar e pré-vendas fechadas, mas com R$ 800 de MRR, não vale algumas dezenas de milhares de reais só porque a receita ainda é pequena. Por isso o potencial do estágio funciona como piso, e não como média: enquanto a receita não sustenta o que o estágio já demonstra, o valor é o potencial; quando a receita ultrapassa esse patamar, ela passa a mandar.

O piso vale para todo mundo, com ou sem receita — é isso que elimina o degrau que existia ao sair da pré-receita. Não há um valor de ARR a partir do qual a receita passe a mandar automaticamente: quem decide é a comparação entre os dois motores, caso a caso.

Média não serviria aqui: ela puxaria o valor para baixo conforme a receita crescesse dentro dessa faixa, e “mais receita” acabaria valendo menos. Com piso, a curva é monótona e contínua.

04

Sem receita: dois métodos que o investidor reconhece

Sem receita recorrente não existe múltiplo honesto. A entrevista muda: além do estágio do produto e do sinal de demanda, perguntamos o dossiê que todo investidor-anjo pesa — time, tamanho de mercado (a partir do seu ICP), competição e relações estratégicas. Com isso rodamos dois métodos padrão de avaliação de early-stage sobre o mesmo dossiê:

  • Berkusum checklist de cinco fatores com tetos rígidos (ideia, protótipo, time, relações, tração). É o piso conservador. Os tetos em reais são convenção nossa: nenhuma fonte publica um Berkus em reais, e converter os US$ 500 mil clássicos pelo câmbio superestimaria grosseiramente. Ancoramos no pre-money máximo defensável de pré-receita brasileiro e dividimos pelos cinco fatores.
  • Scorecard (Bill Payne)parte de uma âncora de pre-money de comparáveis brasileiros e a ajusta por fatores ponderados — time 30%, mercado 25%, produto 15%, competição 10%, canais 10%, capital 5%. Esses pesos são americanos (Angel Capital Association, revisão de 2019) e entram sem ajuste para o Brasil. Não por descuido: os estudos brasileiros que mediram critérios de investidor-anjo com amostra real encontram a mesma ordenação — time primeiro, mercado depois, produto no meio —, e a adaptação acadêmica do Scorecard ao contexto brasileiro preserva os pesos originais.

A âncora do Scorecard vem da nossa base de comparáveis de pre-money de startups brasileiras pré-receita (R$ 3 miR$ 10 mi), triangulada com um desconto Brasil de ~50% sobre o pre-money dos EUA. É dado soft por construção — não existe base pública brasileira de pre-money mediano por setor —, então a tratamos como faixa, com confiança declarada, nunca como cotação.

05

Gate de fundabilidade: por que uma tese não vale milhões

A âncora de mercado descreve empresas que fecharam rodada — o decil de cima da população pré-receita. Aplicá-la a uma ideia sem produto seria inflar por viés de seleção. Por isso ela só vale cheia com produto ao menos em beta e demanda com uso ativo. Abaixo disso, o Berkus manda e o Scorecard ancora numa faixa de tese (centenas de milhares) — e o número volta ao piso honesto.

Duas travas de honestidade: o tamanho de mercado sai do ICP que você declara (nº de clientes-alvo × ticket → SOM calculado por baixo), não de um número que a IA inventa — e sem uma fonte citada esse fator fica neutro. E declaração pura nunca leva um fator acima do típico; passar disso exige um artefato nomeado (LinkedIn, exit, CNPJ, concorrentes nomeados) que o laudo imprime.

A leitura do site também contesta o que você declara: se o ticket informado for muito acima do preço público que a página mostra, o fator de mercado é rebaixado ao típico e o laudo diz por quê.

Negócios de consumo contam em outra escala: quando o cliente é pessoa física, a contagem do público vai a milhões, o ticket é mensal e a penetração plausível de um entrante é menor (2% em vez de 7%). Sem isso, um B2C honesto batia no teto da escala de empresas e era punido justamente por ter mercado grande.

A IA nunca sobe o seu número. Ela só pode baixá-lo — quando o que você declara não se sustenta diante do que o seu site mostra.

06

Uma faixa condicional, não um valor absoluto

O laudo pré-receita não afirma “sua empresa vale X”. Ele afirma, com a origem da âncora impressa: se empresas comparáveis negociam na faixa da âncora, então esta é a posição relativa da sua empresa nela. Vende posicionamento defensável, não um número que ninguém observou.

Os dois métodos leem os mesmos fatos declarados. Quando eles discordam, a faixa combinada alarga em vez de fingir consenso — é a mistura de duas leituras do mesmo dossiê, com o Berkus como piso e o Scorecard como leitura de mercado.

07

A simulação do Raio-X

O Raio-X não repete o cálculo da capa: ele roda 10.000 cenários sobre as mesmas entradas. Cada cenário sorteia crescimento, retenção, margem e múltiplo de saída em torno dos valores medidos, com dispersão calibrada pelo estágio da empresa. No pré-receita, cada cenário sorteia um valor por fator — time, mercado, produto, demanda — e a própria âncora de comparáveis, com o mesmo sorteio alimentando o Berkus e o Scorecard, para que a correlação entre eles entre por construção em vez de fingida independência.

Cada cenário combina os dois motores pela mesma regra da capa. É isso que garante que a distribuição descreve o número que você viu, e não um cálculo paralelo. Os percentis P10, mediana e P90 saem dessa distribuição; a faixa central destacada concentra 80% dos cenários.

Os textos do relatório — diagnóstico, prioridade, leitura de cada segmento — são montados por regra a partir desses números.

Nenhuma frase do Raio-X é escrita por modelo de linguagem. Cada diagnóstico é montado por regra a partir dos números que a simulação produziu.

08

Versões da metodologia

O modelo muda com o tempo, e cada avaliação guarda a versão que a gerou. A atual é a v3, e todo Raio-X carimba no rodapé a versão que produziu os números.

  1. v1receita e potencial eram dois regimes separados, com um degrau ao cruzar MRR = 0.
  2. v2o potencial de estágio passou a ser piso do valor, eliminando o degrau.
  3. v3no modo pré-receita, a banda editorial deu lugar à triangulação Berkus + Scorecard sobre comparáveis brasileiros, com gate de fundabilidade e faixa condicional.

Avaliações antigas não são reescritas em silêncio: o valor da capa fica congelado na versão em que foi emitido. Se a sua for anterior à atual, o Raio-X avisa e você pode recalcular em Minha conta, com as mesmas respostas e sem consumir cota.

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Perguntas frequentes

Por que o resultado é uma faixa, e não um número exato?

Porque valuation não é medição, é estimativa. A amplitude da faixa reflete a incerteza: quanto menos histórico o negócio tem, mais larga ela fica. Um número exato passaria uma precisão que nenhum modelo honesto entrega.

A IA inventa os números?

Não. A IA lê o conteúdo público do site para entender produto, público e modelo — e é proibida de estimar receita ou valuation. O tamanho de mercado vem do ICP que você declara (nº de clientes × ticket, calculado por baixo como SOM), não de um palpite da IA; sem fonte citada, esse fator fica neutro. Todo o dossiê e os números vêm do fundador.

Por que o site é obrigatório?

A leitura do site agiliza a entrevista, valida se a proposta pública faz sentido e evita um questionário gigante. É também uma checagem simples de que existe um negócio real por trás da avaliação.

Meus números ficam públicos?

Não. MRR, crescimento, retenção e margem nunca aparecem no resultado público, que mostra apenas a leitura qualitativa de cada fator. Os números viajam criptografados dentro do seu laudo para permitir reavaliações e o Raio-X, e só o dono da avaliação consegue acessá-los.

Meu valuation não bate com ARR × múltiplo. Por quê?

Provavelmente o piso de potencial está mandando. Quando o estágio do produto e os sinais de demanda já demonstram mais do que a receita atual precifica, o valor exibido é o potencial, não o cálculo de receita. Enquanto for assim, melhorar retenção ou margem não move o número — quem move é a receita alcançar o patamar que o potencial indica. O Raio-X diz explicitamente quando esse é o seu caso.

De onde vem a âncora de valuation pré-receita?

De uma base de comparáveis de pre-money de startups brasileiras em estágio inicial, triangulada com benchmark global e um desconto Brasil. Não existe base pública brasileira de pre-money mediano por setor, então tratamos a âncora como faixa, com confiança declarada, nunca como cotação. O laudo mostra a origem da âncora e afirma a sua posição condicional a ela.

Isso substitui uma avaliação formal?

Não. É uma estimativa ilustrativa para orientar conversas e prioridades. Uma transação real envolve diligência, negociação e fatores que nenhuma calculadora captura.

Referências

A faixa de múltiplos de ARR vem da série pública de M&A de SaaS privado da Aventis Advisors, cuja mediana é 4,5x sobre 543 transações com múltiplo de receita divulgado entre 2015–2026. Sobre ela aplicamos o fator Brasil de 0,75, chegando aos 3,4x que o modelo usa. No pré-receita, a âncora vem de comparáveis brasileiros e os tetos do Berkus em reais são convenção nossa, como declarado acima. O resultado é uma estimativa ilustrativa e não constitui avaliação formal, oferta ou recomendação de investimento.

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